3 meses que parecem 3 dias!

Meu querido avô,

Como é possível na próxima semana já ser Agosto?! Serei só eu a ser completamente absorvida pelo tempo??
Foi há 3 meses que decidi escrever este blog para si mas a verdade é que já não dou novidades por aqui há algum tempo (mas nunca me esqueço) …

Sou absorvida pelo tempo que me faz exigências e traz urgências a todos os minutinhos no meu pequeno dia e o que consigo concluir é que não sei dizer que não como também não paro um segundo, estou sempre a mil – por opção.

Estes 3 meses foram tempo de intervalo (Não apenas no blog). Nunca me esqueço da grande frase que sempre me disse: “Há tempo para tudo” Com este tempo aprendi (ou tive consciência) que sou uma péssima gestora do meu tempo . Para mim 3 meses parecem 3 dias = a minha ligação com o tempo.´

Neste tempo a pergunta foi frequente – “Qual é o objectivo do teu blog?”

Bem, este blog é um bocadinho diferente. Tento com ele estar mais perto de si. Faz-me falta o equilíbrio que só o avô me conseguia transmitir. Só escrevo ao domingo para me dar força a recomeçar mais uma semana.

Quanto tempo é um “espaço” virtual em que a reflexão sobre o tempo – horário, meteorológico e os “nossos tempos” – é permanente;

Histórias e experiências sobre como o tempo pode ser o nosso melhor amigo;

As minhas aventuras como péssima gestora de tempo – que muitas são de rir;

e

Partilhar a minha aprendizagem a lidar e a gerir o tempo possa de alguma forma ajudar alguém mas isso só o tempo o dirá.

Até ao próximo domingo,

Mimi

Ps: Podem sempre seguir a minha página de facebook:https://www.facebook.com/quantotempoblog/ para saberem onde ando a gastar o meu tempo.

Vida de uma mimi ansiosa, não é fácil!

Meu querido avô,

Bem sabe que desde pequena que não sei esperar, não gosto de filas e odeio multidões – precisamente por ser ansiosa e não conseguir nem imaginar que o amanhã possa vir a ser ainda melhor.

Mudar-me para capital onde tudo acontece, não veio ajudar em nada. Eu que gosto de estar em todo lado e com todos, não é de todo conciliável. Nem com carro! O trânsito e as buzinadelas conseguem acentuar a minha ansiedade! Claro que o tempo em Lisboa também me trouxe muitos raios de sol que ajuda a ser uma ansiosa sempre com um sorriso na cara!

Ser ansiosa é estar sempre preocupada com tudo e não conseguir viver o momento. Vivo a correr sempre com mil planos e projectos, sinto-me sempre cansada e com vontade de desistir de tudo. Mas na realidade nada faço. Nem desisto nem persisto. Espero que a vida se resolva sozinha.
Estou numa fase atribulada em que luto constantemente contra a minha falta de paciência (e para o meu dia-a-dia é preciso muita porque estar sempre a perder tudo é o que faço melhor)

Quando me perguntam como consigo fazer tudo? Não consigo! Vou parar de enganar os outros e a mim própria. É difícil conseguir chegar a tudo! E vou começar a acreditar na premissa que sempre me ensinou “há tempo para tudo”.

Depois de um fim de tarde maravilhoso num dos melhores rooftops de Lisboa e com boa companhia o resultado devia ser energias renovadas e cheia de motivação mas, o cansaço é tanto que nem consegui aproveitar o momento e estar realmente presente!

Sei que me posso estar a tornar repetitiva mas para já o meu relógio anda meio avariado.
Estas semanas são definitivamente uma grande redefinição de objectivos e prioridades!

Um beijinho e boa semana,

Mimi

Não quero crescer!

Não quero crescer!

Meu querido avô,

Esta semana disse adeus a um dos projectos em que estou envolvida, que adoro de coração mas que mentalmente não me permite parar. Não me permite viver sem preocupações. Aproveitar o momento.

A vida é feita de escolha, eu sei. E entrar no projecto foi uma escolha minha mas sinto que estou perder o brilho no olhar e o sorriso (apesar de às vezes conseguir disfarçar). Viver em stress, cansada e sem paciência. Ainda me custa aceitar que vou desistir. Comprometi-me que ia conseguir mas não estou mesmo aguentar.

Sei a importância dos compromissos. São promessas valiosas que tenho com os outros mas também comigo própria. Sei também que crescer exige compromissos e é por isso que tenho medo deles! E para mim já chega de crescer … estou contente com 1.68cm eheh

Enfim … compromissos podem exigir falhas e eu odeio falhar e que falhem comigo (Sei que é com o fracasso e com as falhas que aprendemos e crescemos) mas não sei lidar com essas frustrações. Queria tanto viver sem magoar ou desiludir quem gosta de mim, quem me ensina, quem partilha momentos comigo e principalmente quem consegue acompanhar a minha energia e velocidade.(Não é tarefa fácil)

Estou triste, porque estou consciente que vou abandonar o barco antes mesmo de estar em velocidade cruzeiro, abandonar quando mais precisavam de mim mas o que sinto nestes últimos preparativos é que estou a complicar o que é fácil e a não conseguir ver o lado prático da vida. E isso não posso mesmo permitir, eu sou uma pessoa prática e para cada problema arranjo sempre uma solução!

Sei que ninguém me obrigou a nada e que escolhi este barco porque quis e toda esta bola de neve de cansaço foi criada por mim e porque permiti a mim mesma envolver-me também emocionalmente.

Não faço ideia em que barco vou estar no futuro ou se me vou sentir tão realizada num projecto mas neste momento preciso de ficar na “praia” a repor todas as energias para conseguir viver intensamente como sempre vivi.

Agora que estou finalmente a parar para pensar, parece que quando me diziam que tenho o Síndrome do Peter Pan, tenho mesmo. Sou impulsiva como as crianças e quando algo corre mal ajo como se fosse uma brincadeira e mudo as regras do jogo para não perder tempo.

Não gosto de comprimissos.
Só pedia para ser, novamente, a sua netinha pequenina que gosta de um beijinho de boa noite.

Até domingo,
Mimi

Há dias difíceis!

Há dias difíceis!

Meu querido avô,

Hoje foi mais um dos dias difíceis. Não sei lidar com as minhas emoções nestes dias. Preciso de uma fórmula mágica para não ouvir o coração e voltar a ser o que era. Eu sei que o avô sabe que a nossa família mudou neste último ano, ou melhor, nestes últimos 8 meses.

Tal como a Cinderela perdeu a sua referência desde cedo, também eu perdi a minha bem como todo o brilho e felicidade que tinha em viver e em festejar tudo.

Lembro-me tão bem de desembrulhar com toda alegria o ovo da páscoa oferecido por si, que comia com grande velocidade o chocolate ao mesmo tempo que brincava com o brinde (que não era nada de especial mas fazia-me tão feliz…). Desde que se tornou a minha estrelinha, os dias em família são de grande sacrifício e os minutos são eternidades. Sei que o tempo cura tudo e que esta sensação de saudade e de dor vai melhorar mas nunca irá passar. Não está a ser fácil gerir as emoções. Se houver alguma dica, preciso desesperadamente de a saber, pois estou insuportável e mudo de humor tantas vezes que nem consigo acompanhar (mais um paradoxo)! Sei (como também espero) que amanhã possa vir a perder esta sensação de querer chorar e não conseguir parar, de aperto no coração …

Nos outros dias do ano posso, e permito-me, ser forte e ter a alegria de viver, mas hoje não! Hoje, um dia de família, era suposto estar cá a ver-me a devorar ovinhos de chocolate que a tia faz questão de espalhar pela mesa tão bem decorada com tudo a que Páscoa tem direito. Saudades, de com alegria, vê-lo a olhar para mim com aqueles olhos a espreitar por cima dos óculos e ouvir a minha avó: “Carlos Alberto, deixa lá a miúda rir-se.” Tenho saudades de fazer aquelas sessões de fotos de família que o avô tanto gostava. Este ano não houve fotos, não houve gargalhadas mas houve sol e calor para nos aquecer a alma que esteve tão triste hoje…

Sei que o tempo não volta para trás, mas hoje era um dia que me deviam ter deixado ficar em casa a chorar e a esperar que a dor passasse. Não estava preparada para ficar na mesma mesa, no mesmo local, na mesma época mas sem si, como se nada tivesse mudado. Sei que a vida tem que seguir em frente e temos que ser fortes mas nestes dias vou a baixo do mar, abandono o barco, completamente. Tenho a estranha a sensação de estar rodeada de pessoas que gosto mas ainda assim quero estar sozinha com os meus pensamentos. Peço ao tempo que passe rápido para ir dormir e esquecer que estes dias de família estão diferentes. Lembro-me de gostar tanto destes dias de festas e de me envolver nos preparativos, das gargalhadas, histórias, dos jogos … espero um dia voltar a ter as mesmas sensações.

O tempo é o meu melhor amigo mas é tramado ser amiga dele! Já passaram quase 8 meses e a dor permanece, com a imagem que não me sai da cabeça, da manhã em que tomávamos os dois, calmamente, o pequeno-almoço (o que raramente acontecia porque ando sempre a correr) naquela pequena mesa da cozinha. Não sei lidar com a dor, é mais forte do que a minha vontade de estar bem.

Espero que, esteja onde estiver, não fique triste comigo por não conseguir ser a mesma neta num almoço de família. Aquela que estava sempre alegre e pronta ajudar. Sei que o avô deve estar desiludido comigo por eu não estar a conseguir lidar com a avó nem a ser forte e conseguir ultrapassar tudo isto, mas por detrás deste sorriso que tenho todos os dias está uma dor no coração tão grande!

Desculpe avô e desculpem família! Mas não consigo ser forte quando só me apetece chorar!

Fica aqui a promessa que nos próximos eventos de família vou tentar ser a mesma neta de sempre e não me vai apetecer chorar como uma criança.

até para a semana,

Mimi

O tal café combinado!

O tal café combinado!

Querido Avô,

Estes meses têm sido mesmo desafiantes a todos os níveis e são muitos os objectivos que tenho vindo a redefinir.
Uma das grandes questões que me preocupa é a velocidade do tempo e com ela a minha lista de cafés combinados e adiados vai aumentando mas nem as 3 agendas que tenho me ajudam a conseguir organizar-me e ter tempo para tudo.

A minha memória é mesmo igual à da Dóri por isso uma das estratégias é ESCREVER. Aprendi com o meu querido avô – “O que não conseguir fazer no momento escreva para não se esquecer e nunca deixe ninguém sem resposta.”

Muitas vezes até sou vista como a maluquinha que anda sempre com o caderno atrás e aponta até as informações mais banais. Vivo de uma forma tão acelerada que é o caderno que acaba por ser uma grande ajuda na relação complicada com o meu melhor amigo, o tempo.

Esqueço-me rapidamente do que verdadeiramente importa e do que me faz verdadeiramente feliz e ficar em paz. Sei que a minha lista de cafés combinados e adiados é grande mas também sei que nunca deixo ninguém sem resposta e quando o café ou o abraço é mesmo preciso faço stop na minha vida e estou presente! Se assim não for sinto que falho!

Mas às vezes não podemos esperar que as urgências se imponham para combinar o tal café. E esta semana percebi isso de forma tão simples e rápida. Que bom foi ver uma amiga que adoro de coração e que já não via há semanas. Que bom foi sentir-me em paz e realizada com as amizades que tenho. Que bom foi saber que o tempo pode passar e nada muda.

Esta semana fica a promessa de pôr como compromisso na minha agenda alguns dos cafés que já tenho combinados há muito tempo.

Para a próxima semana já é Maio e vai haver novidades!

Beijinhos,
Mimi

É tudo urgente!

É tudo urgente!

Meu querido avô,

É incrível a forma como sou dependente do tempo, como estou sempre a correr tal e qual o coelhinho da Alice do país das maravilhas e tenho sempre a mesma sensação. Começo a achar que é muito importante reflectir sobre o que é realmente urgente!

É alucinante perceber como vivo dependente de urgências, tem sido uma luta diária entender que me cabe a mim escolher o que é urgente e o que fazer com o meu tempo, tanto na vida pessoal como na vida profissional.

Tenho poucos anos de experiência e ando a saltar de projecto em projecto por opção própria, por impaciência e até por curiosidade mas o que consigo concluir é que vivemos num mundo de urgências e que até a necessidade de ter um tupperware é urgente!

É certo que tenho falta de foco, distraio-me a cada minuto e esqueço-me das ideias em segundos (mas rapidamente surgem outras)! Estou sempre à espera que alguma coisa aconteca ou que alguém me ligue para finalmente tomar o tal café que está planeado há séculos. Basicamente, estou sempre à espera que tudo aconteça mas ansiosa que nada aconteça para viver o momento presente!

Odeio perder tempo mas odeio ainda mais o facto de no meu próprio mundo me fazer perder tempo. (É estranho, eu sei, toda a minha vida é um paradoxo mas é uma longa história)

Na realidade há algumas coisas que são mesmo urgentes para mim e que não as faço porque estou constantemente a apagar fogos, que afinal não são tão urgentes quanto isso – às vezes tenho alguma dificuldade em dizer não. Ando a aprender a gerir o MEU tempo mas não tem sido fácil. Preciso de ajustar os ponteiros no meu relógio pois são eles que comprometem o que de mais valioso tenho, o TEMPO.

Acho que é urgente comunicar mais e melhor para se distinguir o que é importante e o que realmente é urgente.

Para mim URGENTE é saber parar e apreciar o momento porque estou sempre preocupada com as exigências e com as urgências que vão surgindo no momento por isso …

… o meu objectivo desta semana é fazer esperar as “urgências” e estar onde realmente preciso de estar.

até para a semana,

Mimi